Jun. 30. 2026
Mais de 40 participantes, incluindo técnicos florestais, proprietários, investigadores e representantes de diversas entidades da Fileira do Pinho participaram, no passado dia 26 de junho, na visita de campo "Gestão de Pinhal Pós-Tempestade", promovida pelo Centro PINUS e pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
A iniciativa percorreu toda a cadeia de valor da madeira de pinheiro-bravo, desde as operações de recuperação dos povoamentos afetados pela tempestade Kristin até à sua transformação industrial, proporcionando uma visão integrada dos desafios técnicos, económicos e industriais associados à gestão pós-tempestade.
A visita iniciou-se no Perímetro Florestal de Alva de Pataias, onde os técnicos do ICNF apresentaram as intervenções em curso nas áreas sob sua gestão. Foram abordadas as operações de remoção do material lenhoso derrubado, as medidas de prevenção dos riscos bióticos e abióticos e o planeamento da futura regeneração natural dos povoamentos.
A empresa Pedrosa e Irmãos, responsável pela exploração da madeira nesta área, deu a conhecer os desafios destas operações. Segundo Nelson Pedrosa, a exploração de madeira derrubada exige cerca de 30% mais tempo de execução e mais do dobro dos operadores relativamente a operações florestais convencionais.
Apesar deste aumento significativo dos custos de exploração, a madeira continua a ser valorizada através dos diferentes segmentos da Fileira do Pinho — serração, tratamento e trituração —, procurando maximizar o aproveitamento económico deste recurso.
Ao longo da visita foram igualmente partilhadas experiências e discutidos os impactos da tempestade Kristin e os desafios da recuperação das áreas afetadas, tanto em floresta pública como privada.
Neste contexto, o Presidente do Centro PINUS, João Gonçalves, alertou para a difícil conjuntura que atravessa a Fileira do Pinho. Aos efeitos acumulados dos incêndios dos últimos anos, junta-se agora um volume estimado superior a dois milhões de metros cúbicos de madeira de pinho afetada pela tempestade Kristin, o equivalente a cerca de metade do consumo anual da indústria nacional.
Segundo João Gonçalves, esta situação exerce uma forte pressão sobre toda a cadeia de valor da madeira e reforça a necessidade de implementar soluções que permitam conservar e valorizar este recurso. Entre essas medidas, destacou a criação de parques de armazenamento temporário de madeira, equipados com sistemas de rega, para retirar madeira de serração do mercado enquanto não pode ser escoada, uma solução defendida pelo Centro PINUS logo após a tempestade.
Da parte da tarde, a iniciativa prosseguiu nas instalações da Pedrosa e Irmãos, onde os participantes acompanharam o percurso da madeira após a exploração florestal e conheceram as diferentes etapas da sua transformação industrial.
A visita terminou com uma demonstração da metodologia de classificação estrutural da madeira de pinheiro-bravo, dinamizada pelo SerQ, evidenciando o potencial deste material para aplicações estruturais na construção e reforçando o papel da valorização industrial no aumento da competitividade da Fileira do Pinho.
Ao ligar a gestão florestal, a exploração, a transformação industrial e a classificação estrutural da madeira, a visita demonstrou que a recuperação das áreas afetadas por fenómenos meteorológicos extremos não termina na remoção da madeira derrubada. A valorização deste recurso constitui uma etapa essencial para gerar rendimento, apoiar os proprietários e reforçar a sustentabilidade económica da Fileira do Pinho.
A visita foi promovida pelo Centro PINUS e pelo ICNF, no âmbito do projeto +PINHO, financiado pelo COMPETE, contando com a colaboração do SerQ, AIMMP, Forestis e Pedrosa e Irmãos.
A ação foi acompanhada pela agência Lusa, que publicou duas notícias sobre o tema:
- Fileira do pinho fortemente afetada por escassez de madeira; in Observador
- Fileira do pinho quer valorizar o pinheiro-bravo e mostrar potencial para construção; in Agroportal
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