Sep. 22. 2026
Com uma área aproximada de 2 200 hectares, o Baldio de Verdelhos, pertencente ao concelho da Covilhã e integrado no Parque Natural da Serra da Estrela, representa uma referência em termos de dinamismo na gestão florestal de pinheiro-bravo e que, já em 2022, o Centro PINUS deu a conhecer numa visita de campo realizada ao local, imediatamente após um incêndio.
Passados quatro anos, a regeneração natural inclui árvores com mais de 2 metros de altura que são já alvo de gestão pela equipa de sapadores florestais.
David Martins, envolvido ativamente na gestão do Baldio de Verdelhos desde 2018 e atual presidente do Conselho Diretivo, guia-nos neste novo PINUS TV por diversas áreas com povoamentos de pinheiro-bravo. Apresenta as principais intervenções realizadas nos últimos anos e explica o plano de gestão florestal em curso, bem como as ações previstas para o futuro, que passam por compartimentar as espécies resinosas com folhosas. Observando a regeneração pós incêndio, há que seguir as pistas que a natureza sabiamente fornece, explica David Martins.
Atento a todos os serviços prestados pelo pinhal-bravo, o protagonista desta reportagem informativa do Centro PINUS reconhece a relação com a qualidade da água, revela-nos o ninho de uma águia e está atento ao emergente mercado voluntário de carbono.
“Vamos continuar a intervir onde há regeneração natural. O pinheiro-bravo aqui é a árvore predominante e é a que está cá melhor. É um erro não apostarmos no pinheiro. Só temos de trabalhá-lo, melhorar povoamentos e ter muita gestão”, acrescenta.
Em parcelas com povoamentos de pinhal-bravo adulto, com cerca de 60 anos de idade, observam-se os resultados de um desbaste realizado no último inverno, integrado num regime de intervenções periódicas com uma frequência de aproximadamente cinco anos. Após esta operação, o povoamento apresenta uma densidade de cerca de 1000 árvores por hectare, permitindo uma melhor distribuição espacial dos pinheiros e reduzindo a competição por luz, água e nutrientes.
Esta prática silvícola visa promover o crescimento das árvores remanescentes, melhorar a estabilidade do povoamento e aumentar a qualidade da madeira de pinho. "A floresta é uma fonte de receita e essa receita é investida no bem da comunidade, nas infraestruturas. Também criamos postos de trabalho, o que é uma alavanca para nós, fixa juventude. Na nossa equipa de sapadores florestais a média de idades é de 40 anos”, destaca David Martins.
Em apoio contínuo ao baldio ao longo do ano, estes profissionais fazem a gestão dos povoamentos, como o controlo de matos e a condução dos pinheiros que nasceram após o último incêndio, em 2022. Resultantes de regeneração natural e com três anos de idade, as árvores apresentam bom vigor e um crescimento que já atinge os 2,5 metros de altura.
Nesta aldeia serrana, o Baldio de Verdelhos representa 5 postos de trabalho permanentes e entre 10 a 15 postos de trabalho indiretos. Um dos exemplos da aplicação das receitas geradas pela floresta é a recuperação do moinho de água localizado junto ao rio Beijames. As obras de requalificação encontram-se atualmente em curso, tendo como principal objetivo preservar este elemento do património local e devolvê-lo à população como espaço de interesse cultural, educativo e turístico.
O Centro PINUS considera este caso prático como um exemplo inspirador de resiliência e de boas práticas de gestão de pinhal-bravo, com potencial de replicação noutras regiões e comunidades.
Veja aqui o episódio “Boas práticas de gestão de pinhal-bravo" e conheça outros PINUS TV sobre a Fileira do Pinho em www.youtube.com/centropinus.
Este vídeo informativo foi realizado no âmbito do projeto +PINHO, financiado pelo COMPETE, e tem como parceiros o SerQ, a AIMMP, o Centro PINUS e a Forestis.
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